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The International Comitee for the Conservation of the Industrial Heritage
http://ticcih.org/

Asociación Uruguaya de Patrimonio Industrial
AURPI


Associação Portuguesa para o Património Industrial
www.museudaindustriatextil.org/appi/
 
L'Associazione Italiana per il Patrimonio Archeologico Industriale (AIPAI)
http://www.patrimonioindustriale.it/
 
TICCIH – Argentina (Comité Nacional para la Conservación del Patrimonio Industrial)
http://www.ticcihargentina.com.ar/
 
TICCIH – España
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TICCIH – México
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Comite Mexicano Para la Conservación del Patrimonio Industrial
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Museo de la Electricidad - Lima - Peru
http://museoelectri.perucultural.org.pe/index.htm

Carta de Nizhny Tagil
em português



CARTA DE NIZHNY TAGIL SOBRE O PATRIMÔNIO INDUSTRIAL
The International Committee for the Conservation of the Industrial Heritage (TICCIH)

O TICCIH – The International Committee for the Conservation of the Industrial Heritage (Comissão Internacional para a Conservação do Patrimônio Industrial) é um organismo internacional constituído oficialmente durante a III Conferência Internacional para a Conservação do Patrimônio Industrial, que se realizou em Grangarde (Suécia), em junho de 1978 (as Conferências anteriores realizaram-se em Ironbridge, Grã-Bretanha, em 1973, e em Bochum, então República Federal da Alemanha, em 1975). Deste modo, o TICCIH está organizado na base de uma comissão internacional, eleita de três em três anos durante cada Conferência, e conta com Representantes Nacionais ou Correspondentes nos países associados. Atualmente, o TICCIH possui representantes e correspondentes nacionais em 54 países.

O TICCIH é a organização mundial consagrada ao patrimônio industrial, sendo também o consultor especial do ICOMOS para esta categoria de patrimônio. O seu objetivo é o de promover a cooperação internacional no domínio da salvaguarda, conservação, investigação, inventário, documentação, valorização e a formação em todos os aspectos do patrimônio industrial. Tem também por objetivo desenvolver os aspectos educativos relacionados com estes domínios.

Cada três anos o TICCIH organiza uma Conferência Internacional durante a qual, para além do programa científico, os associados compartilham informações e discutem as questões e os desenvolvimentos registrados no âmbito do patrimônio industrial, na qual também se incluem visitas a sítios industriais de interesse histórico. Também existe um programa de Conferências intermédias para discutir temas específicos. Para os associados com interesses específicos, o TICCIH dispõe de seções especializadas que lhes proporcionam notícias e informações sobre os progressos registrados no seu campo específico.

O TICCIH dispõe de uma página na internet, no seguinte URL: http://www.ticcih.org

Esta Carta sobre o Patrimônio Industrial foi aprovada na Conferência do TICCIH realizada na Rússia em 2003, a qual foi posteriormente apresentada ao ICOMOS para ratificação e eventual aprovação definitiva pela UNESCO.


CARTA DE NIZHNY TAGIL PARA O PATRIMÔNIO INDUSTRIAL

Preâmbulo

Os períodos mais antigos da história da Humanidade são definidos pelos vestígios arqueológicos que testemunham mudanças fundamentais relacionadas com os processos de fabricação de objetos da vida quotidiana, e a importância da conservação e do estudo dos testemunhos destas mudanças é universalmente aceita.

Desenvolvidas a partir da Idade Média na Europa, as inovações na utilização da energia assim como no comércio conduziram, nos finais do século XVIII, a mudanças tão profundas como as que ocorreram entre o Neolítico e a Idade do Bronze. Estas mudanças geraram evoluções sociais, técnicas e econômicas das condições de produção, suficientemente rápidas e profundas para que se fale da ocorrência de uma Revolução. A Revolução Industrial constituiu o início de um fenômeno histórico que marcou profundamente uma grande parte da Humanidade, assim como todas as outras formas de vida existente no nosso planeta, e que se prolonga até aos nossos dias.
Os vestígios materiais destas mudanças profundas apresentam um valor humano universal e a importância do seu estudo e conservação deve ser reconhecida.

Os delegados reunidos na Rússia por ocasião da Conferência 2003 do TICCIH desejam, por conseguinte, afirmar que os edifícios e as estruturas construídas para as atividades industriais, os processos e os utensílios utilizados, as localidades e as paisagens nas quais se localizam, assim como todas as outras manifestações, tangíveis e intangíveis, são de uma importância fundamental. Todos eles devem ser estudados, sua história deve ser ensinada, seu sentido e significado devem ser explorados e elucidados para o conhecimento do grande público. Além disso, os exemplos mais característicos devem ser inventariados, protegidos e conservados, de acordo com o espírito da carta de Veneza, para uso e benefício do presente e do futuro (1).

1. Definição de patrimônio industrial

O patrimônio industrial compreende os vestígios da cultura industrial que possuem valor histórico, tecnológico, social, arquitetônico ou científico. Estes vestígios englobam edifícios e maquinaria, oficinas, fábricas, minas e locais de tratamento e de refino, entrepostos e armazéns, centros de produção, transmissão e utilização de energia, meios de transporte e todas as suas estruturas e infra-estruturas, assim como os locais onde se desenvolveram atividades sociais relacionadas com a indústria, tais como habitações, locais de culto ou de educação.

A arqueologia industrial é um método interdisciplinar que estuda todos os vestígios, materiais e imateriais, os documentos, os artefatos, a estratigrafia e as estruturas, os assentamentos humanos e as paisagens naturais e urbanas (2), criadas para ou pelos processos industriais. A arqueologia industrial utiliza os métodos de investigação e pesquisa mais adequados para aumentar a compreensão do passado e do presente industrial.

O período histórico de maior relevância se estende desde o princípio da Revolução Industrial, a partir da segunda metade do século XVIII, até a atualidade, sem negligenciar suas raízes pré e proto-industriais. Além disso, recorre ao estudo das técnicas de produção, englobadas pela história da técnica e da tecnologia.

2. Valores do patrimônio industrial

i. O patrimônio industrial representa o testemunho de atividades que tiveram e que ainda têm profundas conseqüências históricas. As razões para proteger o patrimônio industrial se baseiam no valor universal daquele testemunho, mais que na singularidade de quaisquer sítios excepcionais.

ii. O patrimônio industrial reveste-se de um valor social como parte do registro de vida de homens e mulheres comuns e, como tal, proporciona-lhes um importante sentimento de identidade. Na história da indústria, da engenharia e da construção, o patrimônio industrial apresenta um valor científico e tecnológico, podendo também apresentar um valor estético, pela qualidade da sua arquitetura, do seu design ou da sua concepção.

iii. Estes valores são intrínsecos às localidades industriais, às suas estruturas, aos seus componentes, à sua maquinaria e funcionamento, à sua paisagem industrial, à sua documentação e também aos registros intangíveis contidos na memória dos homens e nas suas tradições.

iv. A raridade, em termos de sobrevivência de processos específicos de produção, de tipologias de lugares ou paisagens, acrescenta um valor particular e deve ser cuidadosamente avaliada. Os exemplos mais antigos ou pioneiros apresentam um valor especial.

3. A importância da identificação, do registro/inventário e da investigação

i. Todos os grupos sociais devem identificar, registrar e proteger os vestígios industriais que queiram preservar para as gerações futuras.

ii. Os levantamentos de campo e de tipologias industriais devem permitir conhecer a amplitude do patrimônio industrial. Utilizando estas informações, devem ser realizados inventários de todos os lugares identificados, os quais devem ser concebidos de forma a proporcionar fácil pesquisa e acesso livre para o público. A informatização e o acesso on-line são objetivos importantes.

iii. O registro ou inventário constitui uma parte fundamental do estudo do patrimônio industrial. Um levantamento e registro completo das características físicas e das condições de um lugar deve ser realizado e conservado num arquivo público, antes de se realizar qualquer intervenção. Muitas informações podem ser obtidas se tais ações forem efetuadas antes do abandono da utilização de um determinado processo industrial ou do fim da atividade produtiva de um lugar. Os registros ou inventários deverão incluir descrições, desenhos, fotografias e vídeos da atividade industrial, com as referências das fontes documentais existentes. As memórias das pessoas que aí trabalharam constituem uma fonte única e insubstituível e deverão ser também registradas e conservadas, sempre que possível.

iv. A investigação arqueológica de espaços industriais históricos constitui uma técnica fundamental para o seu estudo. Ela deve ser realizada com o mesmo rigor científico e metodológico aplicados em outros períodos históricos ou culturais.

v. São necessários programas de investigação histórica para fundamentar as políticas de proteção do patrimônio industrial. Devido à interdependência de numerosas atividades industriais, uma perspectiva internacional pode auxiliar na identificação dos sítios e dos tipos de sítios de importância mundial.

vi. Os critérios de avaliação de edifícios industriais deverão ser definidos e publicados para que o público possa tomar conhecimento de normas racionais e coerentes. Com base numa investigação apropriada, estes critérios deverão ser utilizados para identificar as mais significativas paisagens, complexos industriais, sítios, tipologias de implantação, edifícios, estruturas, máquinas e processos industriais.

vii. Os sítios e estruturas de reconhecida importância patrimonial devem ser protegidos por medidas legais suficientemente sólidas para assegurarem a sua conservação. A Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO deverá prestar o legítimo reconhecimento ao enorme impacto que a industrialização teve na cultura humana.

viii. Deverá ser definido o valor dos sítios mais significativos e estabelecidas diretrizes para futuras intervenções. Deverão ser postas em prática medidas legais, administrativas e financeiras, necessárias para conservar a sua autenticidade.

ix. Os sítios ameaçados deverão ser identificados para que possam ser tomadas as medidas apropriadas para reduzir esse risco e facilitar eventuais projetos de restauro e de reutilização.

x. A cooperação internacional constitui uma perspectiva particularmente apropriada para a conservação do patrimônio industrial, através de iniciativas coordenadas e compartilhamento de recursos. Deverão ser elaborados critérios compatíveis para relacionar inventários e bases de dados internacionais.

4. Proteção legal

i. O patrimônio industrial deve ser considerado como uma parte integrante do patrimônio cultural em geral. Contudo, sua proteção legal deve considerar sua natureza específica. Ela deve ser capaz de proteger as fábricas e suas máquinas, seus elementos subterrâneos e suas estruturas no solo, os complexos e os conjuntos de edifícios, assim como as paisagens industriais. As áreas de resíduos industriais, assim como as ruínas, deverão ser protegidas, tanto pelo seu potencial arqueológico como pelo seu valor ecológico.

ii. Programas para a conservação do patrimônio industrial devem ser integrados nas políticas econômicas de desenvolvimento assim como no planejamento regional e nacional.

iii. Os sítios mais importantes deverão ser integralmente protegidos e não deverá ser autorizada nenhuma intervenção que comprometa a sua integridade histórica ou a autenticidade da sua construção. A adaptação coerente e a reutilização podem constituir formas apropriadas e econômicas de assegurar a sobrevivência de edifícios industriais, e devem ser encorajadas mediante controles legais apropriados, conselhos técnicos, ajudas econômicas e incentivos fiscais.

iv. As comunidades industriais que estão ameaçadas por rápidas mudanças estruturais deverão ser apoiadas pelas autoridades locais e governamentais. Devem ser previstas potenciais ameaças ao patrimônio industrial decorrentes destas mudanças e preparar planos para evitar o recurso a medidas de emergência.

v. Devem ser estabelecidos procedimentos para responder rapidamente à desativação de sítios industriais importantes, a fim de prevenir a remoção ou a destruição dos seus elementos significativos. Em caso necessário, as autoridades competentes deverão dispor de poderes legais para intervir quando for necessário, a fim de protegerem sítios ameaçados.

vi. Os governos devem dispor de um corpo consultivo especializado que possa emitir pareceres independentes sobre as questões relativas à proteção e conservação do patrimônio industrial, os quais devem ser consultados em todos os casos importantes.

vii. Devem ser desenvolvidos todos os esforços para assegurar a consulta e a participação das comunidades locais na proteção e conservação do seu patrimônio industrial.

viii. As associações e os grupos de voluntários desempenham um papel importante na inventariação/catalogação/registro dos sítios, promovendo a participação pública na sua conservação, difundindo a informação e a investigação, e como tal constituem parceiros indispensáveis no domínio do patrimônio industrial.

5. Manutenção e conservação

i. A conservação do patrimônio industrial depende da preservação da sua integridade funcional, e as intervenções em um sítio industrial devem, tanto quanto possível, visar à manutenção desta integridade. O valor e a autenticidade de um sítio industrial podem ser fortemente reduzidos se a maquinaria ou componentes essenciais forem retirados, ou se os elementos secundários que fazem parte do conjunto forem destruídos.

ii. A conservação dos sítios industriais requer um conhecimento profundo do propósito ou propósitos para os quais foram construídos, assim como dos diferentes processos industriais que se puderam ali desenvolver. Estes podem ter mudado com o tempo, mas todas as antigas utilizações deverão ser investigadas e avaliadas.

iii. A conservação in situ deve ser considerada sempre como prioritária. O desmantelamento e a relocação de um edifício ou de uma estrutura só serão aceitáveis se a sua destruição for exigida por imperiosas necessidades sociais ou econômicas.

iv. A adaptação de um sítio industrial a uma nova utilização como forma de se assegurar a sua conservação é em geral aceitável, exceto no caso de sítios com uma importância histórica particular. As novas utilizações devem respeitar o material específico e os esquemas originais de circulação e de produção, sendo tanto quanto possível compatíveis com a sua utilização original ou principal. É recomendável uma adaptação que evoque a sua atividade original.

v. Adaptar e continuar a utilizar edifícios industriais evita o desperdício de energia e contribui para o desenvolvimento econômico sustentado. O patrimônio industrial pode desempenhar um papel importante na regeneração econômica de regiões deterioradas ou em declínio. A continuidade que esta reutilização implica pode proporcionar um equilíbrio psicológico às comunidades confrontadas com a perda repentina de uma fonte de trabalho de muitos anos.

vi. As intervenções realizadas nos sítios industriais deverão ser reversíveis e provocar um impacto mínimo. Todas as alterações inevitáveis deverão ser registradas e os elementos significativos que se eliminem deverão ser inventariadas e armazenadas num local seguro. Numerosos processos industriais conferem um cunho específico que impregna o sítio e do qual resulta todo o seu interesse.

vii. A reconstrução ou o retorno a um estado anteriormente conhecido deve ser considerado como uma intervenção excepcional que somente será apropriada se contribuir para o reforço de integridade do lugar como um todo, ou no caso da destruição violenta de um exemplar importante.

viii. Os conhecimentos que envolvem numerosos processos industriais, antigos ou obsoletos, constituem fontes de importância capital cuja perda poderá ser insubstituível. Devem ser cuidadosamente registrados e transmitidos às novas gerações.

ix. Devem-se promover a preservação de registros documentais, arquivos empresariais, plantas de edifícios, assim como amostras de produtos industriais.

6. Educação e formação

i. A formação profissional especializada, abordando os aspectos metodológicos, teóricos e históricos do patrimônio industrial deve ser criada no ensino técnico e universitário.

ii. Devem ser elaborados materiais pedagógicos específicos que abordem o passado industrial e o seu patrimônio para e pelos alunos dos níveis primário e secundário.

7. Apresentação e interpretação

i. O interesse e a dedicação do público pelo patrimônio industrial e a apreciação do seu valor constituem os meios mais seguros para assegurar a sua preservação. As autoridades públicas devem explicar ativamente o significado e o valor dos sítios industriais através de publicações, exposições, programas de televisão, Internet e outros meios de comunicação, proporcionando o acesso permanente aos sítios importantes e promovendo o turismo nas regiões industriais.

ii. Os museus industriais e técnicos, assim como os sítios industriais preservados, constituem meios importantes de proteção e interpretação do patrimônio industrial.

iii. Os itinerários regionais e internacionais do patrimônio industrial podem esclarecer as contínuas transferências de tecnologia industrial e o movimento em larga escala das pessoas que as mesmas podem ter provocado, promovendo um afluxo do público interessado em conhecer uma nova perspectiva do patrimônio industrial.

Nizhny Tagil, 17 de Julho de 2003.



(1) A Carta do Patrimônio Industrial deverá incluir as importantes Cartas anteriores, como a Carta de Veneza (1964) e a Carta de Burra (1994), assim como a Recomendação R(90) 20 do Conselho da Europa.

(2) Para facilitar a compreensão, a palavra “sítios” refere-se a lugares / espaços / conjuntos / complexos / unidades, e será também utilizada em relação às paisagens, instalações, edifícios, estruturas e maquinaria, exceto quando estes termos forem utilizados num sentido mais específico.








[Tradução de Gabriela Campagnol, José Manuel Lopes Cordeiro, Manoela Rufinoni e Ronaldo Andre Rodrigues da Silva]

Copyright © por Comitê Brasileiro para a Preservação do Patimônio Industrial TICCIH - BRASIL Todos os direitos reservados.

Publicado em: 2007-07-21 (4308 vizualização(ões))

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